Diabetes aumenta o risco do Câncer Colorretal?

Estima-se que existam aproximadamente 463 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos de idade com diabetes no mundo inteiro. Infelizmente, uma das muitas complicações da doença é o desenvolvimento de câncer, cuja incidência é mais alta nesse grupo do que na população em geral.

De acordo com os estudos a respeito do assunto, o risco de carcinogênese é ainda maior nos primeiros estágios de disfunções no metabolismo de glicose, afetando, principalmente, órgãos como intestino, fígado, pâncreas, estômago, mama, pulmão, boca e endométrio.

Além disso, de acordo com um artigo publicado em 2020 na revista Oncotarget, índices maiores de mortalidade também são maiores na população com diabetes tipo 2, inclusive a ocorrência de metástase do câncer colorretal para o fígado. O mesmo não vale para a diabetes tipo 1, que é mais rara e, até o momento, não temos evidência de sua associação com um risco elevado de desenvolver qualquer tipo de tumor. Os mecanismos pelos quais a diabetes aumenta o risco de desenvolver câncer de intestino parecem ser o aumento no estresse oxidativo, índices altos de insulina, fatores de crescimento relacionados e seus fatores de ligação e alterações nos receptores de insulina, por exemplo. Esse fenômeno estimula o crescimento celular, o que parece influenciar as células tumorais.

Existe, também, a possibilidade de que a hiperglicemia seja capaz de danificar o DNA, de maneira que a elevação da quantidade de açúcar no organismo cause quebras na fita genética e mudanças de bases, o que leva à multiplicação de células defeituosas.

Vale ressaltar, entretanto, que muitos dos fatores de risco para os diversos tipos de câncer associados à diabetes são compartilhados, como obesidade, sedentarismo, dieta rica em gordura e pobre em fibras. Em estudos, é difícil estabelecer uma ligação específica da diabetes tipo 2 com o câncer quando tantos fatores estão envolvidos. Considerando que uma parcela significativa dos pacientes com câncer serão, também, portadores de diabetes, essa particularidade deve ser levada em conta em seu tratamento. Ainda não se sabe se o prognóstico do câncer é necessariamente pior entre esses pacientes, mas a taxa de mortalidade tende a ser maior, bem como a incidência de comorbidades. Todos esses fatores, sem dúvidas, podem prejudicar o tratamento.

Vale ressaltar, também, que algumas abordagens envolvem o uso de medicamentos que causam aumento no nível de glicose, o que pode ser um desafio para manter a glicemia controlada. Nesse sentido, o paciente irá se beneficiar ainda mais de uma equipe multidisciplinar, contando com oncologista, endocrinologista, coloproctologista (caso o tumor seja intestinal) e nutricionista.

INSTITUTO PAULISTA DE CIRURGIA

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